segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Típico de mim

Já me levei até o limite. Qual? Só eu posso e quero saber. Mas uma coisa eu digo: a pior raiva é saber que quem está enganando é a você mesma. É aquela pontinha que cisma em ficar, mas que histericamente não se quer saber. Eu sei, mas não quero saber. Tão típico isso. Isso e algumas pessoas, afinal pode-se acompanhar o pensamento, mas e daí para acreditar, é um abismo. Hoje eu me odeio porque me engano. Soa pesado (e é, assim como os fatos), mas precisarei lembrar disso depois que eu dissipe o ódio pelas palavras.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

[Cora Coralina]

terça-feira, 24 de novembro de 2009

vento que leve
que eu seja leve
e que jamais carregue
o que há de excesso em mim.


[ai, isso devia ficar só no meu caderno, mas foi feira agora, então tive que parir]

There´s a life beside you

Não peço
Não posso pedir
Não posso querer pedir!
à parte disso, tenho todas as demandas do mundo.

[assassinei Fernando Pessoa de forma psicanalítica]

_______________________________________________________________


Aquela dor
não faz quem eu sou
um tanto do que passo, do que venta
desse sopro, me anima, me atormenta
mas também é só uma pontada de vida.

Há vida
para ser vivida
intensa, morna, fria, passante
Os corpos se escolhem, mas deixam marcas

Tiro as lentes
para perder o sentido
não sem traumas
mas com cicatrizes.

[perdoem os que têm veias poéticas, eu só tenho um corpo que fala, que precisa falar]

23/11/2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

I´ll find my fuck off button. Oh yeah... I´m almost there!

domingo, 15 de novembro de 2009

Para uma lavagem da alma

céu nuvem cheiro de dama-da-noite sorriso abraço Abraço perfume-da-pele terra grama conchinha carinho olhar Amigos encontros vivências sentir-se pertencida acaso frio beijo toque música descoberta musical conversa surpresa de idéia sentir-se querida Família BEATRIZ re--nascimento



[e continuará, mesmo beirando a banalidade]

O que faz lavar a alma?



.
tenho me perguntado isso. disseram que minha alma está cansada. não sei.



.

sábado, 14 de novembro de 2009

Tudo

Às vezes me parece que tudo o que devia ter sido escrito, já foi escrito (obviamente). E assim digo não: aos desabafos psico-intectuais, aos momentos que penso que só eu passei, à certeza do dia. E é como se eu não sentisse vontade de me encher mais com o cotidiano, com o mesmo, e assim eu pulo, salto e procuro outras formas de existência. Nada de aterrorizador, nem de radical, nem que vá mudar a minha vida numa guinada de 180 graus. Não, procuro aquele cheiro que me vem à mente de uma pessoa, ou aquelas palavras enigmáticas que alguém me falou e que, justamente por serem ainda enigmáticas, eu as guardo em minha mente. Procuro conversas que eu sinta que a minha base e minhas certezas são minhas, mas que podem ser mudadas e escuto, pois o estranhamento frente ao desconhecido faz com que se fique calado, tentando apenas sentir aquele momento. Vem um desconforto grande, talvez porque não se sabe o que falar, ou talvez porque só se venha a entender algumas palavras específicas depois que o meu corpo volta a si (e não a minha mente, que continua no momento). E pareço tão vazia quanto a uma concepção minha baseada apenas no que não sou: não sou baixa, não sou magra, não sou gorda, e tantas outras que às vezes eu pego pra mim, mas que prefiro não falar aqui e que, ainda bem, mudam de acordo com o tempo. Foram as palavras que mudaram ou eu que mudei?

(26/10/2007)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Isso aqui tá virando uma putaria.
Ao invés de escrever para cá, tô ainda colocando muita coisa que me ressoa. Tá bom, já estou com muita coisa que está indo embora, uma sombra que me acompanha e uma perspectiva melhor. É o que me interessa.

só coloco o texto abaixo porque é ótimo e é do Mr. Bob:

" Eu gosto do impossível, tenho medo do provável , dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo. Tenho um sorriso confiante que às vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele. Sou inconstante e talvez imprevisível. Não gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras. Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. São poucas as pessoas pra quem eu me explico... "

domingo, 25 de outubro de 2009

para hoje

Irreconhecível
Me procuro lenta
Nos teus escuros.
Como te chamas, breu?
Tempo.

Hilda Hilst: Da Morte, Odes Mínimas
Caiu em minhas mãos um texto de Francisco Ortega da UERJ com o título POR UMA ÉTICA E UMA POLÍTICA DA AMIZADE.

alguns trechos:


Uma nova política e uma nova ética da amizade devem visar precisamente a encorajar essa vontade de agir, a recuperar um certo apelo iluminista à coragem de pensar de uma forma ainda não-pensada, de sentir e de amar de maneira diferente.(...)


Nesse contexto, cultivar um “ethos da distância”, introduzir uma distância em nossas relações não significa renunciar a nos relacionarmos, a nos comunicarmos. Trata-se, antes, de levar a sério a incomensurabilidade existente entre o eu e o outro, o que impede sua incorporação narcisista. Em outras palavras, não utilizarmos o amigo para fortalecer nossa identidade, nossas crenças, isto é, “o que somos”, mas a possibilidade de concebermos a amizade como um processo, no qual os indivíduos implicados trabalham na sua transformação, na sua invenção. Diante de uma sociedade que nos instiga a saber quem somos, a descobrir a verdade sobre nós mesmos, e que nos impõe uma determinada subjetividade, esse cultivo da distância na amizade levaria a substituir a descoberta de si pela invenção de si, pela criação de infinitas formas de existência. (...)


A amizade é um fenômeno público, precisa do mundo, da visibilidade dos assuntos humanos para florescer. Nosso apego exacerbado à interioridade, a 'tirania da intimidade' não permite o cultivo de uma distância necessária para a amizade, pois o espaço da amizade é o espaço entre os indivíduos, do mundo compartilhado - espaço da liberdade e do risco -, das ruas, das praças, dos passeios, dos teatros, dos cafés, e não o espaço de nossos condomínios fechados e nossos shopping-centers, meras próteses que prolongam a segurança do lar. (...)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Do Paulo.

de contrabando da exposição do Leminski. Saímos sem palavras, e olha que éramos em três falantes que não nos víamos há 3 semanas, o que para nós era muito.

Sobre muito, adotei essa música assim que a conheci, tanto pela letra quanto pela sonoridade e interpretação:

pronto
agora que voltou tudo ao normal
talvez você consiga ser menos rei
e um pouco mais real
esqueça
as horas nunca andam para trás
todo dia é dia de aprender um pouco
do muito que a vida traz

mas muito pra mim é tão pouco
e pouco é um pouco demais
viver tá me deixando louca
não sei mais do que sou capaz
gritando pra não ficar rouca
em guerra lutando por paz
muito pra mim é tão pouco
e pouco eu não quero (mais)

chega!
não me condene pelo seu penar
pesos e medidas não servem
pra ninguém poder nos comparar
por que
eu não pertenço ao mesmo lugar
em que você se afunda tão raso
não dá nem pra tentar te salvar

...veja
a qualidade está inferior
e não é a quantidade que faz
a estrutura de um grande amor
simplesmente seja
o que você julgar ser o melhor
mas lembre-se que tudo o que começa com muito
pode acabar muito pior...

Letra do Moska e interpretação da Maria Rita.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Escritos


Nem falo mais, porque já tem muito afeto. Muitos bons encontros.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Isso é para a dor

Irônico constatar que as pessoas que querem ficar, se vão. Não seria muito até essa parte da frase, mas quando se quer marcar a presença dela na sua vida com a exclusão de outras pessoas que são queridas: ou eu ou elas, daí advém a ironia. Aliás rio com isso.
Não é porque troco meia dúzia de palavras que tenho expectativas maiores. Consigo brincar com isso. Um dia fui assim, me doava toda... como a Elis interpretando uma canção.
As experiências me fizeram cicatrizes, mas já estou desenhando por cima delas.
Estou no devir eu. A caminhada deixa paisagens para trás.

(o título é de um som da Ângela Rô Rô)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Nãos

Quero escrever algumas coisas e não consigo. Como aliás em muita coisa na minha vida.
Eu não: Não consigo. Não quero. Me recuso. E ponto final.

Nessa linha do não:
um dos grandes aprendizados atuais é saber que não quero e não posso ser amada por todos. e isso é libertador. banal sim, mas que agora é tão incrustrado que não tenho medo do ódio, desde que venha pela frente, encarando mesmo. O que me agoniza é a indiferença, ou fazer-se semblante
dela... mas dessa última eu tô é rindo. um passatempo apenas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

É isso, pensei nessa palavra muitas vezes hoje.




Estarrecedor:
adjetivo formado do verbo latino vulgar exterrescere - no latim culto é exterrere -, que significa espantar-se, cair por terra por medo ou terror, assustado com algum fenômeno. No sentido metafórico, tem sido aplicado não somente ao que espanta mas também desconcerta.


.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

"Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos"

recortes selvagens de Caio Fernando Abreu:

>Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu.
(a um Antoine Doinel, que se vá.)


>Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.


>Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.


>Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros.


>Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável.

sábado, 12 de setembro de 2009

Sessão de pensamentos

19,80 só para mulheres? tem certeza?! a Fulana? a relação se baseou no cotidiano. Foi por mim ou por culpa? só pra esclarecer. Mais um ou vai embora? você vai. Quem tem o gênio do mesmo tamanho do corpo? eu? obrigada, mas às vezes ultrapassa. Cabelo liso ou enrolado? os dois, como quero. Se sou assim? muitas vezes. Isso até certa parte é meu.

"Que delícia a pós-modernidade!"

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Temas universais


do blog do Caco Galhardo.

Não é como pareço

Não é por que insisto que me decepciono. Nem porque desisto é que me arrependo. Espero sim, espero muito, espero o nada. Mas a ansiedade se foi. O que fica então? meu corpo em feridas, minha alma dormente, uma vez que não quero mais anestesiar a realidade.
Deixa, deixa... porque eu já deixei, é só a camada que parece a mesma.

Afinal
ao final
as pessoas surpreendem.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Já Cazuza cantava....




Nítida impressão que exagerei:
no cabelo: ele sumiu, foi pra cima e agora preciso domá-lo;
nas palavras: chegaram e foram direto para as pessoas sem muito filtro, rasgando;
na indiferença: é, eu sei expressar o nada;
no pensamento: chega, vai, volta e fica em suspenso...
na emoção: vem aí a dor para anunciar, a febre pra delatar e os remédios pra causar dor de estômago...




essa minha destruição faz parte de alguma construção capenga. mas sei que é por agora.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

In memorium


Morde
que tua força é bruta
Fica
que tua presença é sincera
Vai
que espero o teu melhor.

Morde na alma
Fica na ausência
Vai na memória.


à Lilica.

é isso.


Dias infernais

Momentos que não voltam mais
Noites que só quero paz.

à la Leminski

porque basta ao IS:


Olho que fecha

porta que abre
isso que não termina
eu quero que acabe.


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um livro.



"Minha amiga está-se indo embora aos poucos.

Ela é como um livro maravilhoso
que leio todos os dias,
e já decorei capítulos por inteiro.

Mas, o livro
está se desfazendo
pelo tempo!

Percebi outro dia que todo o capítulo 3
have se dissipado como algo que pode ser dissipado, e pouco depois em minhas
mãos
toda uma página do capítulo 5,
exatamente a página 96, desapareceu
bem no meio de sua releitura assumida com profundo agrado.

Ontem foram as letras da brochura
com o seu nome, escritas a ouro -
sumiram!! Sabem o que é isto? sumiram como mágica
e só distinguo o livro dos outros da minha estante.
por não ter nome em sua lombada.
O único livro perdido se destaca como um presente de todos os outros
um tanto ausentes para mim.

Por sorte decorei cada página e cada letra
como momentos separados
e interligados: gosto demais da página 103
para sequer ousar esquecê-la.
Também do segundo parágrafo
da página 206, onde ela se perdeu nos arredores da marginal
e encontrou um camarada meio louco - um cabeludo maltrapilho.
que a ajudou a se encontrar.

Há também um erro de concordância
que rendeu muito pano para manga.
Ainda acho que estou certo -
mas ela usa-os como bandeira.
(Sou um cavalheiro -
pelo menos me comporto como cavalheiro
e deixo passar.)

Minha amiga muda a cada dia
sua maneira de se expressar
mas a saudade não me alcançará, pois já decidi:

Colocarei num quadro
o prefácio que narra como a conheci

e guardarei tudo

bem dentro de mim."

(Flávio Alberoni - alberoni@uol.com.br)

Di, qual seria o meu prefácio?!


.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Só pelo tema



Sem nenhuma correlação pessoal com estas figurinhas, mas são selvagens e boas demais para alguns analistas.


Impossível



Tem algumas palavras que cismam em ficar na cabeça, grudadas. E acabo carregando algumas, como uma bagagem. Só que diferentemente daquelas que uso, essas de tão boas acabam ficando guardadas, como uma tentativa de preservação de mim.

E quando as falo é por um uso especial, sem que as pessoas notem. Só que dá um certo pudor semelhante a quando mostro uma nova descoberta musical: me é tão cara a descoberta, que tento desistir depois - afinal, parte daquilo é como penso e o que acabo fazendo é a construção de um abismo com o outro... ao contrário do que queria.


.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma, entre outras.



Estava com um certo furor que, de tão identificada com a frase da Clarice:
"Eis-me aqui dura, silenciosa e heróica", não sabia nomear o motivo do heróica... Apesar de ainda me sentir assim, além dos outros dois termos.
Fiquei com alguns dias com alguma certeza do que era isso, mas só hoje percebi que era devido a tentar encarar de frente dois aspectos que todo neurótico passa: a culpa e a angústia. Não, não quero mais terceiras pernas emocionais nem pessoas que possam me apoiar. E sei que vou precisar, e bastante. E tentar dá insegurança, mas viverei minha vida inteira com um enquadre de óculos que não são meus? Não quero ser nem profunda, nem rasa demais.
Sou é pulsante, visceral com um rótulo um tanto imponente, sem querer ser. Uma aparente calmaria.
Escrever esses textos é me odiar depois. Mas isso não podia deixar passar.

Vi e não lembro do autor: A cada um a coragem de tomar seu próprio risco.

sábado, 15 de agosto de 2009

Viagens no metrô.



Depois de muitos acasos no metrô - e poderia fazer uma lista: desde ficar fechada no vagão; parada no meio do túnel sem luz; conversar com milhares de idosos; quase brigar com uma menina que encarava; ver as pessoas se estapearem no anhangabaú para entrar; presenciar um rugby de uma garota ao tentar entrar no trem (e
olha que ela me ensinou... depois de 8 trens, era o único e selvagem meio de entrar) - nesse tempo nunca tinha conhecido o DON JUAN!
Tudo bem que era meio capenga, fumado, 41 anos. Mas lá vem a abordagem: sentada, lendo e o cara me incomoda com o joelho na minha frente. Com aquele olhar que dou, para.
Não contente, senta-se num banco perpendicular ao meu e depois de segundos me cutuca e pergunta: você é advogada?
- não.
- geógrafa?
- não.
- o que você lê? (estendo o texto)
- isso é sobre alteração? (título: A altercação.)
- não, psicanálise e filosofia.
- Ahn.
- Você é psicóloga?
- sim.
- Tem 18 anos? (aí é de f...)
- não.
- A pergunta que faço (a mais idiota do mundo): e você, quem é?
- Eu sou o DON JUAN, aquele que engravida as menininhas e não casa. Aposto que tem uma fila de caras na sua casa. Você distribui senha?
- Não e nem quero ficar grávida de você.
(...) Chega no Jabaquara, ponto final, e digo: ow, você não vai descer não?
- tava esperando para você não achar que ia te seguir.
- não, é o ponto final. Saímos e digo tchau.
- ahn, você é daquelas que saem para jantar no Fasano ou no Ritz e vão embora à meia-noite para dar remédio para a mãe que já morreu...
- não, não tenho essas aspirações, e falo com você pessoa a pessoa.
Resmunga muito, sai correndo pelo corredor lotado (era às 19h) e SOME.
Fico ali, rindo sozinha - olhando para os lados à procura de alguém que tenha presenciado algo.






Quadro da casa de um querido amigo.

Eis-me aqui.




Um domingo de tarde sozinha em casa dobrei-me em dois para a frente - como em dores de parto - e vi que a menina em mim estava morrendo. Nunca esquecerei esse domingo. Para cicatrizar levou dias. E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heróica. Sem menina dentro de mim.

Clarice Lispector - A descoberta do mundo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

INVERNÁCULO


Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.

Paulo Leminski - O ex-estranho, fantástico.


é, leio outras coisas que não psicanálise e franceses.

Pequenas verdades.


nem todo conselho é bom

nem todo automóvel táxi
nem todo sopro é de sax
nem todo filet mignon
nem toda arte é um dom
nem todo voto é secreto
nem todo amigo é discreto
nem todo batuque é samba
nem toda casa é de bamba
nem todo malandro esperto.

Ney Matogrosso E Pedro Luis E A Parede - Vagabundo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Não é aqui um confessionário. Do meu inferno deixo para mim.
Aqui eu deixo as marcas, estas sim, podem deixar rastros.

eis com o que me defronto...

Um cão,
porque vive,
É agudo.
O que vive
Não entorpece.
O que vive fere.
O homem,
Porque vive,
Choca com o que vive.
Viver
É ir entre o que vive.

O que vive
Incomoda de vida
O silêncio, o sono, o corpo
Que sonhou cortar-se
Roupas de nuvem.
O que vive choca,
Tem dentes, arestas, é espesso.
O que vive é espesso
Como um cão, um homem,
Como esse rio.
Como todo o real
É espesso.

(João Cabral de Melo Neto)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Da loucura das palavras à loucura da vida.


filme que adoro - O Labirinto do Fauno.





terça-feira, 28 de julho de 2009

Texto que de alguma forma se reatualiza.

Não sei muitas coisas. Certezas foram poucas. À medida que o tempo
passa, algo se concretiza: vou viver o suficiente. A intensidade que
me coloco nas relações é tamanha que agora, e isso é um momento
relativamente novo, escolho. É só depois de uma guinada que se
estrutura o cotidiano: o meu é pautado de pequenas transgressões,
alguns desvios em que me permito o acaso. Distraídos venceremos - no
quê? hoje o que penso que é justamente a mediocridade.
Não espero com isso uma apologia a nada. Há muito tempo parei de
esperar. Defesa? É não colocar expectativa. Simples assim, agora,
porque já me foi um tema complexo. Isso só consegui pensar com a
distância necessária para ser só, só eu.

!!!

Por eu
para mim
de algum lugar.


just born in one raining day...

tosqueira ocupacional.