"Minha amiga está-se indo embora aos poucos.
Ela é como um livro maravilhoso
que leio todos os dias,
e já decorei capítulos por inteiro.
Mas, o livro
está se desfazendo
pelo tempo!
Percebi outro dia que todo o capítulo 3
have se dissipado como algo que pode ser dissipado, e pouco depois em minhas
mãos
toda uma página do capítulo 5,
exatamente a página 96, desapareceu
bem no meio de sua releitura assumida com profundo agrado.
Ontem foram as letras da brochura
com o seu nome, escritas a ouro -
sumiram!! Sabem o que é isto? sumiram como mágica
e só distinguo o livro dos outros da minha estante.
por não ter nome em sua lombada.
O único livro perdido se destaca como um presente de todos os outros
um tanto ausentes para mim.
Por sorte decorei cada página e cada letra
como momentos separados
e interligados: gosto demais da página 103
para sequer ousar esquecê-la.
Também do segundo parágrafo
da página 206, onde ela se perdeu nos arredores da marginal
e encontrou um camarada meio louco - um cabeludo maltrapilho.
que a ajudou a se encontrar.
Há também um erro de concordância
que rendeu muito pano para manga.
Ainda acho que estou certo -
mas ela usa-os como bandeira.
(Sou um cavalheiro -
pelo menos me comporto como cavalheiro
e deixo passar.)
Minha amiga muda a cada dia
sua maneira de se expressar
mas a saudade não me alcançará, pois já decidi:
Colocarei num quadro
o prefácio que narra como a conheci
e guardarei tudo
bem dentro de mim."
(Flávio Alberoni - alberoni@uol.com.br)
Di, qual seria o meu prefácio?!
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