sábado, 15 de agosto de 2009

Viagens no metrô.



Depois de muitos acasos no metrô - e poderia fazer uma lista: desde ficar fechada no vagão; parada no meio do túnel sem luz; conversar com milhares de idosos; quase brigar com uma menina que encarava; ver as pessoas se estapearem no anhangabaú para entrar; presenciar um rugby de uma garota ao tentar entrar no trem (e
olha que ela me ensinou... depois de 8 trens, era o único e selvagem meio de entrar) - nesse tempo nunca tinha conhecido o DON JUAN!
Tudo bem que era meio capenga, fumado, 41 anos. Mas lá vem a abordagem: sentada, lendo e o cara me incomoda com o joelho na minha frente. Com aquele olhar que dou, para.
Não contente, senta-se num banco perpendicular ao meu e depois de segundos me cutuca e pergunta: você é advogada?
- não.
- geógrafa?
- não.
- o que você lê? (estendo o texto)
- isso é sobre alteração? (título: A altercação.)
- não, psicanálise e filosofia.
- Ahn.
- Você é psicóloga?
- sim.
- Tem 18 anos? (aí é de f...)
- não.
- A pergunta que faço (a mais idiota do mundo): e você, quem é?
- Eu sou o DON JUAN, aquele que engravida as menininhas e não casa. Aposto que tem uma fila de caras na sua casa. Você distribui senha?
- Não e nem quero ficar grávida de você.
(...) Chega no Jabaquara, ponto final, e digo: ow, você não vai descer não?
- tava esperando para você não achar que ia te seguir.
- não, é o ponto final. Saímos e digo tchau.
- ahn, você é daquelas que saem para jantar no Fasano ou no Ritz e vão embora à meia-noite para dar remédio para a mãe que já morreu...
- não, não tenho essas aspirações, e falo com você pessoa a pessoa.
Resmunga muito, sai correndo pelo corredor lotado (era às 19h) e SOME.
Fico ali, rindo sozinha - olhando para os lados à procura de alguém que tenha presenciado algo.






Quadro da casa de um querido amigo.

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