domingo, 25 de outubro de 2009

para hoje

Irreconhecível
Me procuro lenta
Nos teus escuros.
Como te chamas, breu?
Tempo.

Hilda Hilst: Da Morte, Odes Mínimas
Caiu em minhas mãos um texto de Francisco Ortega da UERJ com o título POR UMA ÉTICA E UMA POLÍTICA DA AMIZADE.

alguns trechos:


Uma nova política e uma nova ética da amizade devem visar precisamente a encorajar essa vontade de agir, a recuperar um certo apelo iluminista à coragem de pensar de uma forma ainda não-pensada, de sentir e de amar de maneira diferente.(...)


Nesse contexto, cultivar um “ethos da distância”, introduzir uma distância em nossas relações não significa renunciar a nos relacionarmos, a nos comunicarmos. Trata-se, antes, de levar a sério a incomensurabilidade existente entre o eu e o outro, o que impede sua incorporação narcisista. Em outras palavras, não utilizarmos o amigo para fortalecer nossa identidade, nossas crenças, isto é, “o que somos”, mas a possibilidade de concebermos a amizade como um processo, no qual os indivíduos implicados trabalham na sua transformação, na sua invenção. Diante de uma sociedade que nos instiga a saber quem somos, a descobrir a verdade sobre nós mesmos, e que nos impõe uma determinada subjetividade, esse cultivo da distância na amizade levaria a substituir a descoberta de si pela invenção de si, pela criação de infinitas formas de existência. (...)


A amizade é um fenômeno público, precisa do mundo, da visibilidade dos assuntos humanos para florescer. Nosso apego exacerbado à interioridade, a 'tirania da intimidade' não permite o cultivo de uma distância necessária para a amizade, pois o espaço da amizade é o espaço entre os indivíduos, do mundo compartilhado - espaço da liberdade e do risco -, das ruas, das praças, dos passeios, dos teatros, dos cafés, e não o espaço de nossos condomínios fechados e nossos shopping-centers, meras próteses que prolongam a segurança do lar. (...)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Do Paulo.

de contrabando da exposição do Leminski. Saímos sem palavras, e olha que éramos em três falantes que não nos víamos há 3 semanas, o que para nós era muito.

Sobre muito, adotei essa música assim que a conheci, tanto pela letra quanto pela sonoridade e interpretação:

pronto
agora que voltou tudo ao normal
talvez você consiga ser menos rei
e um pouco mais real
esqueça
as horas nunca andam para trás
todo dia é dia de aprender um pouco
do muito que a vida traz

mas muito pra mim é tão pouco
e pouco é um pouco demais
viver tá me deixando louca
não sei mais do que sou capaz
gritando pra não ficar rouca
em guerra lutando por paz
muito pra mim é tão pouco
e pouco eu não quero (mais)

chega!
não me condene pelo seu penar
pesos e medidas não servem
pra ninguém poder nos comparar
por que
eu não pertenço ao mesmo lugar
em que você se afunda tão raso
não dá nem pra tentar te salvar

...veja
a qualidade está inferior
e não é a quantidade que faz
a estrutura de um grande amor
simplesmente seja
o que você julgar ser o melhor
mas lembre-se que tudo o que começa com muito
pode acabar muito pior...

Letra do Moska e interpretação da Maria Rita.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Escritos


Nem falo mais, porque já tem muito afeto. Muitos bons encontros.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Isso é para a dor

Irônico constatar que as pessoas que querem ficar, se vão. Não seria muito até essa parte da frase, mas quando se quer marcar a presença dela na sua vida com a exclusão de outras pessoas que são queridas: ou eu ou elas, daí advém a ironia. Aliás rio com isso.
Não é porque troco meia dúzia de palavras que tenho expectativas maiores. Consigo brincar com isso. Um dia fui assim, me doava toda... como a Elis interpretando uma canção.
As experiências me fizeram cicatrizes, mas já estou desenhando por cima delas.
Estou no devir eu. A caminhada deixa paisagens para trás.

(o título é de um som da Ângela Rô Rô)