Às vezes me parece que tudo o que devia ter sido escrito, já foi escrito (obviamente). E assim digo não: aos desabafos psico-intectuais, aos momentos que penso que só eu passei, à certeza do dia. E é como se eu não sentisse vontade de me encher mais com o cotidiano, com o mesmo, e assim eu pulo, salto e procuro outras formas de existência. Nada de aterrorizador, nem de radical, nem que vá mudar a minha vida numa guinada de 180 graus. Não, procuro aquele cheiro que me vem à mente de uma pessoa, ou aquelas palavras enigmáticas que alguém me falou e que, justamente por serem ainda enigmáticas, eu as guardo em minha mente. Procuro conversas que eu sinta que a minha base e minhas certezas são minhas, mas que podem ser mudadas e escuto, pois o estranhamento frente ao desconhecido faz com que se fique calado, tentando apenas sentir aquele momento. Vem um desconforto grande, talvez porque não se sabe o que falar, ou talvez porque só se venha a entender algumas palavras específicas depois que o meu corpo volta a si (e não a minha mente, que continua no momento). E pareço tão vazia quanto a uma concepção minha baseada apenas no que não sou: não sou baixa, não sou magra, não sou gorda, e tantas outras que às vezes eu pego pra mim, mas que prefiro não falar aqui e que, ainda bem, mudam de acordo com o tempo. Foram as palavras que mudaram ou eu que mudei?
(26/10/2007)
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