Muitas vezes ele toma sol, algo que lhe é favorito, por que aí ele brilha e se faz reluzente.
Carregado de fome, vocifera tanto objetos quanto sentimentos e acaba juntando tudo em seu estômago, que se infla como um balão de ar e voa sem destino.
Até pousar em alguém que lhe acena, inocentemente, achando que ele pode ser domado e tê-lo sempre como sua miragem e não como sua companhia.
O mais engraçado é que quando mais o alimenta, mais ele permanece junto, como uma sombra. E nisso as pessoas o deixam ficar, afinal não estão mais nem com a solidão, sua amiga íntima, nem com seu inferno pessoal. Até o torna seu confidente e o consulta para sua vida, quase um tarô.
E com isso, inferno pessoal se torna o medo.
Ele, quando fica, aproxima os pequenos medos entre si e tudo pode ter uma mesma ligação.
Mas aí é preciso afastá-lo, o que é difícil, pois ele tem como meta associar tudo à ele e não se sabe mais quando se pensa em algo separado, ou em sua companhia.
É quase uma relação de subordinação à ele: tudo o que se faz é para afastá-lo, sendo que uma vez que o convite foi feito, não há como quebrar tão fácil as correntes que ele tece, e tão lentamente.
E parece tão imprescindível tê-lo ao lado! Mas quando quem o porta se vê, o que é refletido é apenas ele, personificado.
Só há um átimo de segundo que pode desafiá-lo, mas que nunca se pede por isso. Momento que simplesmente aparece como coragem, na qual só se pode nomeá-la depois.
Ela ao chegar dá um certo alívio, pois senhora de si, ela possui grande peso e responsabilidade sobre o que acontece depois. Faz as coisas acontecerem, o mundo sair da inércia.
Terei coragem? Sim, porque prefiro outras companhias no meu caminho.
[05 de março de 2010]