terça-feira, 29 de junho de 2010

Separação

Estranhos estes tempos em que o encontro ao acaso é cada vez mais difícil de acontecer. As coisas são cortadas de maneiras brutas, bruscas e não há continuidade, nem luto, nem separação. Parece uma incisão de bisturi mesmo e cada um que olhe para sua própria ferida. Não é questão que todos tenham que olhar para a ferida dos outros, mas estar junto com o outro pode ser uma maneira de tornar o corte como mais um corte e não O corte. Estar junto tem suas qualidades, mas até que ponto uma ferida pode assumir estar em dois corpos?
Também se fechar é algo tentador, criar seu pequeno mundo-bolha; mas ao mesmo tempo pode ser reparador - repara-a-dor. Estranho também que outra pessoa queira que se crie uma bolha entre duas, achando que assim se conserva a ferida, a história.
Histórias assim como marcas foram vividas, experimentadas e são reinterpretadas quando contadas a outros. Passado não se apaga, só se muda de idéia de como ele foi.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sem ordens, sem temporais




Enquanto me misturo entre a oração de São Jorge, minha sobrinha e meus pesadelos dessa madrugada, decidi tentar escrever sem um tema tão fixo e sem nenhum rascunho. Cru mesmo. Afinal tô conhecendo o cru, o semi-cozido e o bem passado da vida. Coisas que ainda tenho que digerir... e a minha digestão é tão lenta.

Esses dias fiquei na cabeça com essa questão do tempo cronológico e tempo lógico que tanto estudei e que agora vivo intensamente: tempo de ver, momento de compreender e instante de concluir. Porque é tão bom isso? não basta saber que se vive um tempo diferente desse cronometrado? pode ser, mas eu sempre quero saber mais, pensar mais.
É que com isso se aprende que é preciso um tempo para pensar as coisas, fazer um ato qualquer - sem significação aparente e depois entendê-lo. Que é aí que chega o instante do "ahn! entendi!". pronto! já foram os três tempos. Tá, e daí? daí que os atos muitas vezes não são tão voluntários assim, que só se entende o que se fez quando se faz esse tal ato e quando se está distante desse tempo de novidade. Confuso, um pouco!
O porque estou pensando na questão do tempo? tempo não é separado de lugar, de pessoas, de acontecimentos... Estou me colocando em certas situações em que falo algo bruto, descontextualizado de mim hoje, mas que já foi em partes pra mim- mas só agora com a distância começo a entender, depois de concluir. É, é saber inventar e reinventar a si mesmo e ao acontecimentos.

[escrito na hora]