domingo, 16 de outubro de 2011

Abstração

Só deu um mal estar. Daqueles que inquietam e que fico grande e ao mesmo tempo sobrando em mim. Eu sei que é um processo, mas odeio quando eu deixei.
Deixei, deixei e deixei. Tem certas coisas que não tem como fazer recuperação - é se sentir mal mesmo e deixar uma marca bem visível pra mostrar que fiz a escolha torta. O mal é porque sabia o que queria, tinha aquela intuição do que era desejo meu, mas eu desviei. Não é questão de me arrepender do que fiz, mas como reparar o meu desejo pra mim mesmo?

Escrevo pra ficar abstrata, pra ver se as palavras ficam nesta vazio entre o desejo e eu.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sussurro

Eu só escrevo quando estou baleada. Quando estou silenciada.
É um momento bem profano querendo alguma coisa que seja sagrada, consagrada entre eu e a matéria, pra me sentir viva mesmo.
Porque ficar só comigo mesmo me faz gritar por minha humanidade, uma vez que sou corpo afetado... entre meu passado e o que me é coerente. Prefiro ser corrente a ser acorrentada. Ser viva, mas não desalmada.
Eu quero agora alguma literatura latinoamericana que me faça sentido, que me faça novos sentidos e que eu possa sair dessa espaço onde canta o bem-te-vi. Porque descobri que em alguma lingua que não me lembro, como não existia superlativo, a idéia tinha que ser falada três vezes. Então hoje que seja doce, que seja doce, que seja doce. E não me transforme em uma formiga, nem uma baleia e nem em tamanduá!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

hoje eu sei que acontecem coisas. elas vão crescendo, criam massas enormes no ar e aí alguém pega e diz sobre ela. mas tem que ser sensível. mas e quando as coisas que vão crescendo, surgindo, trazem um incômodo entre si e não se consegue falar? é algo de poder.
poder falar num silêncio com muita massa em que o som é abafado. hoje minha voz tá abafada, porque a sensibilidade precisa de superfície para aflorar. hoje aprendo a cada dia que as coisas precisam de algum sentido, não todo, mas que não adianta querer ficar suspenso e não vê-lo.
o problema é que alguns sentidos das coisas só percebo depois. tropecei.
às vezes não há muito consolo a dar, principalmente a si mesma, uma vez que a esquisita na história foi eu mesma. eu podia, poderia, e não fiz. não fiz. não fiz. e na hora não me arrependi tanto quanto agora. hoje vejo que a falta é maior e não sou boa de reparar. talvez seja porque não gosto disso, de reparação. hoje só tá eu e o furo.
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porque o perdão é só com o tempo.