terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tudo o que queria

Fico pensando em tudo o que queria dizer dos meus restos. por vezes sou incompreensível aos olhos de quem me vê de relance, por instantes. mas também não ajo com legendas. fico muito ensismesmada comigo mesma quando tenho a possíbilidade de repetir (acho que assim como todo mundo) e por isso me contenho em explicar meus atos ou a falta deles. minha neurose anda mais leve, podendo calcular menos os afetos e minhas ações, mas tem vezes que não conseguir falar numa ligação telefônica pode fazer eu entrar numa angústia mortífera, mesmo sabendo que não há nenhuma base de realidade. e por isso eu penso: eu continuo, eu continuo, eu continuo. e isso tem funcionado porque sei desse movimento e percebo suas ações. e isso anda me bastando. e isso tudo que vivo tem feito com que minha vida tenha sido doce. que seja doce, acima de tudo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Um corpo mais leve
uma mente divagante
é o instante em que tudo estremece

com carne trêmula e idéias confusas
o que sai da boca é o trivial
quando o que se lembra é do suor
risos e palavras que vão pro corpo

tudo isso ao seu encontro.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Passou

passado
passed out
passed
not erased, but gone.

who i am
is from the past
i was by feet
now i´m learning to fly.

sábado, 2 de junho de 2012

já não caibo onde fui
daí alargo o que sou.
atravesso o tempo e palavras
saio do embaraço da necessidade
e vou pro vazio do espaço
de onde posso me mover.

Algo assim

morta em cima da pele
nada que revele o que posso desejar
não há oculto para se ver
daquilo que se atribui ao exterior.

domingo, 29 de abril de 2012

Estou indo embora, vagarosamente, porque um dia houve paixão, porque as marcas ainda estão aqui e isso me faz iludir meu próprio coração. Sem revoltas, só desejo que você se encontre, se demorar, não estarei mais aqui, é um fardo evoluir primeiro.
(Caio Fernando Abreu)

domingo, 22 de abril de 2012

Você?

Desde que um ser me perguntou se estava preparada, eu perdi o meu norte.
Não sabia o que pensar. Comecei pontualmente, pensando naquelas respostas que eu queria. Mas de que adiantariam, se eu não sei o que farei com elas? a diversidade delas não me importa tanto quanto as perguntas. Preciso mudar as perguntas. Acho que esta pergunta que me foi dada foi certeira e agradeço por ela.
Fiz uma retrospectiva minha e percebi que eu me assustaria com o espectro que estou hoje. Nunca pensaria neste norte há 5 ou mesmo 3 anos atrás. Hoje me agradeço por estar me fazendo desse jeito. Preparada? nunca estive, mas sempre topei. Agora, com isso, não será diferente. Que venham novos nortes com as escolhas-encruzilhadas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

tudo em mim
quase nada
o que falta
me atravessa
e o que quero
tenho pressa

domingo, 8 de abril de 2012

Desejos-orações

que minha angústia não me paralise, amém!

que eu gire a cabeça, rodopie com o corpo e possa movimentar a vida. Amém.

que eu possa sentir minha presença. amém.

que eu possa me sentir viva em muitos momentos, mas que não me sinta morta com a ausência de outro, mas de mim mesma. amém.

que eu possa rechear de animais, seres que não existam e flores que eu imagine a minha alma. se tiver música, que eu a escolha, mas pode ser também substituível com o som do vento. amém.

que por eu possa ser algo próxima de um respeito e cuidado a mim mesma. amém!

se tiver que escolher alguma cena da minha vida como minha marca, que seja algo leve como uma brisa. ou, que eu seja uma brisa. amém.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

No dia em que você foi, eu fiquei.

No dia em que me ausentei, me senti falta.

No dia em que eu senti múltipla, eu só senti eu.

No dia em que eu olhei pra trás, só vi distância.

No dia em que luto, estarei comigo.

No dia em que estarei comigo, não me verei sozinha.

No dia em que não me sentir sozinha, me liberto.

domingo, 25 de março de 2012

Como um conto de Clarice Lispector que, quando perde uma coisa, se pergunta "se eu fosse eu" para poder achá-la, fiquei me perguntando onde eu me encontraria ontem, naquele momento em que Eu própria estava perdida e totalmente angustiada. Daí que lembrei e tive uma síncope nervosa, daquelas que quem olhasse acharia que seria uma piada interna bem divertida. Não, era minha vida. Ou seja, poderia ser uma piada do lado de fora.
Então vamos ao exercício mental - eu, 27 anos e meio:
Se eu fosse eu aos 25 anos: nossa, o que apostei deu certo, e viva a vida com experiência! mas precisava exagerar assim? com dilemas tão humanos?
aos 20 anos: eu? tem certeza? meu mundo é esse, as coisas se encaixam e tudo dá certo. Pequenas dores, grandes certezas.
aos 15 anos: uau! vai ser bem mais agitado que imaginava! vou ter alguma correspondência no amor! rsrs
aos 10 anos: tia, você é esquisita, gosta um tanto de sofrer, né? eu gosto é de comer!
aos 5 anos: nossa, eu posso viver, eu vivo!
ao escolher reeencarnar: sim, meu Pai, vou com a tarefa da paciência e de aceitar as minhas e as escolhas dos outros. É, eu sei, pode demorar a vida toda e ainda eu me achar sozinha pra tudo, mesmo sem ter tanto problema com relacionamentos!
E a que me deu síncope interna: se eu fosse eu em outra vida: nega, donde é que tudo isso vai parar, numa novela? ou num novelo?

Sem mais, porque isso nem passa perto de uma piada, mas a piada da vida.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Hoje e outros

Cansada de palavras difusas tentando nomear pensamentos que ficam vazios com o tempo. Aquilo que era inédito não o é mais, e o tempo passa e esgarça as palavras que pareciam tão inovadoras. Assim acontece com todos, mas não espero que tudo seja inovador e que possa ser postado como se fosse exclusividade. As coisas são, as relações acontecem, sem que isso seja louvável, publicavél e muito menos explicável. Hoje sem tema definido, mas com raiva definitiva de alguma coisa ou ser que me atravessa tentando ser algo mais. Hoje e amanhã, um entre outros.
Muitas pessoas já passaram, aquelas que achei serem importantes e só aquelas fundamentais ao acaso é que ficaram. Esse misto de tudo querer ser eterno fica repetitivo como é o ser humano. Difícil mesmo é ver graça em pequenas mudanças na repetição helicoidal. Difícil mesmo é a sobrevivência no cotidiano.

sábado, 7 de janeiro de 2012

RelaSÃO

Eu acho que que se eu pudesse fazer um mapa das minhas relações, quase como uma foto atual, poderia dizer que haveria algumas pontilhadas, outras com uma linha que se estende e outras em que as linhas se confluem.
As que confluem me acalmam, mostram que o que penso não é tão absurdo assim, que o que posso é possível de ser vivido; enquanto as que vão pontilhando é aquelas que ficam em suspenso: será que elas serão continuadas ou vão tomando mais espaço entre elas? Eu não sei e agora não me angustia que rumo tomar nem tentar controlar o que virá. Umas se arrastam: chego perto e me pergunto: e dái? tem como dar nó, cortar ou fazer qualquer coisa? daí mexo um pouco e vejo que por vezes tem o incômodo de ser mexida. Mas eu quero ser mexida e mexer. Daí tô começando usar as palavras como um elástico, para que a tensão crie algo, que me desafie, marque.
E não é questão de não ter marcas, mas de vivênciá-las. VIVEnciar. Porque as relações não são mapas...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Efeito Pipoca

A época em que semeei, eu não tinha noção de quantas coisas poderiam acontecer. Mas percebi que sou uma pessoa bem discreta, daquelas em que amigos dizem: já? enquanto que comigo acontecem as coisas numa outra tessitura, outra intensidade. É tempo meu, do meu insconsciente florescer e eu poder saber lidar com as coisas de outro modo que não o racional de sempre. [Porém ando achando que essa idéia é muito antiquada, porque uma coisa anda tão misturada com a outra que quando consigo falar do que sinto, eu consigo me organizar e levar isso a outra coisa que não a racionalidade].