Como um conto de Clarice Lispector que, quando perde uma coisa, se pergunta "se eu fosse eu" para poder achá-la, fiquei me perguntando onde eu me encontraria ontem, naquele momento em que Eu própria estava perdida e totalmente angustiada. Daí que lembrei e tive uma síncope nervosa, daquelas que quem olhasse acharia que seria uma piada interna bem divertida. Não, era minha vida. Ou seja, poderia ser uma piada do lado de fora.
Então vamos ao exercício mental - eu, 27 anos e meio:
Se eu fosse eu aos 25 anos: nossa, o que apostei deu certo, e viva a vida com experiência! mas precisava exagerar assim? com dilemas tão humanos?
aos 20 anos: eu? tem certeza? meu mundo é esse, as coisas se encaixam e tudo dá certo. Pequenas dores, grandes certezas.
aos 15 anos: uau! vai ser bem mais agitado que imaginava! vou ter alguma correspondência no amor! rsrs
aos 10 anos: tia, você é esquisita, gosta um tanto de sofrer, né? eu gosto é de comer!
aos 5 anos: nossa, eu posso viver, eu vivo!
ao escolher reeencarnar: sim, meu Pai, vou com a tarefa da paciência e de aceitar as minhas e as escolhas dos outros. É, eu sei, pode demorar a vida toda e ainda eu me achar sozinha pra tudo, mesmo sem ter tanto problema com relacionamentos!
E a que me deu síncope interna: se eu fosse eu em outra vida: nega, donde é que tudo isso vai parar, numa novela? ou num novelo?
Sem mais, porque isso nem passa perto de uma piada, mas a piada da vida.
domingo, 25 de março de 2012
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